sexta-feira, outubro 24, 2008

Orelha Negra - Debutantes Domadores de Notas

Apresento-vos o logo dos " Orelha negra"
“Primeiro estranha-se, depois entranha-se” assim inventou o príncipe dos poetas o slogan para a marca Coca-Cola que não chegou a ser utilizado nos idos anos 30 .
No caso presente dos “Orelha Negra”, este slogan assenta-lhes que nem uma luva, já que o comentário geral da assistência era do género: O som é estranho, mas é muito bom..
Pela minha parte cheguei ao Music Box (onde fui pela primeira vez) de imediato reconheci o amplo espaço do antigo Texas Bar, esse templo dos prazeres efémeros a que aportava marinhagem dos quatro cantos do mundo.
Eram outros tempos, outras realidades, quando o Cais do Sodré era a capital da maladragem ribeirinha de uma certa Lisboa, e o Texas Bar a sua sala de visitas.
Bem. Deixemo-nos de lamúrias de antanho e regressemos ao espectáculo de apresentação desta nova trupe.
Mira, Rebelo, Ferreira, Gomes e Cruz. Sim, apenas os seus apelidos são a identificação destes cinco músicos sobejamente conhecidos no meio musical português urbano onde para além deste novo projecto, qualquer um deles têm outros projectos e abordagens daquilo que mais amam: a música.
Pensava-se inicialmente que iria aparecer uma nova cantora a sublinhar os inesperados acordes deste recentíssimo projecto.
Outros diziam que o projecto era unicamente instrumental e que visava um novo conceito estético-musical, e nesse particular ninguém saiu desiludido.
De facto os cinco músicos, entraram mudos e saíram calados o que penso fazer parte da estratégia o que é verdadeiramente arrojado, para a exigência descartável dos tempos que correm.

Bem. A música começou a fluir e a casa cheia que esperava ansiosa por ouvir esta nova sonoridade, aprovava em acenos de cabeça a acompanhar as vibrações musicais que lhes invadiam os respectivos pavilhões auriculares.
A coisa foi ganhando proporções num crescendo a que a audiência se ia entregando a estes domesticadores de notas musicais, obrigando-a a exorcisar medos e fantasmas em forma de dança, quase como, que fossem impulsionados por uma estranha vontade. Eram afinal e apenas, os debutantes domadores de notas a tomarem conta dos nossos corpos.
Não falo aqui em qualquer estilo musical, porque não o sei enquadrar. Aquilo não era rock, nem funk, nem hip hop e jazz muito menos. Quando perguntei ao Rebelo como é que ele identificaria este inusitado som, ele respondeu-me: É pá, isto é uma ópera Hip Hop e saiu sorrindo deixando no ar, que cada um a podia adjectivar da forma que melhor entendesse.

Por não ter fotos dos outros intervenientes, deixo apenas a do Mira. Logo que arrange outras aqui as trarei.

Os samples do Samuel pincelavam com maestria a paisagem sonora pintada pelos restantes companheiros desta viagem musical. O baixo do Chico marcava, sombreava, sublinhava a cadência que o virtuosismo do João Gomes coloria com os sons retirados da sua paleta feita de piano, sintetizadores e outros artefactos. Se juntarmos aqui a maestria dum Frederico Ferreira, (provavelmente o mais requisitado dos bateristas portugueses) e ainda a extraordinária destreza desse monstro dos loops, scratches, samples e outras habilidades do DJ Alexandre Cruz, temos completo o lote dos cinco “orelha negra”, que sempre poderei dizer, ter tido o privilégio de assistir ao seu debut.
Fico apenas com a ideia de que o arrojo do projecto não tenha espaço de penetração no conservador mercado português, mas auguro para este projecto uma interessante carreira fora do “torrão lusitano”.

Etiquetas: Chico rebelo, fred, hip hop, joão gomes, Orelha negra, sam the kid

Escrito por pulanito @ outubro 24, 2008   2 comentários

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