Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Queixinhas!


E pronto, na lotaria das probabilidades lá me calhou finalmente ser premiado com uma gripe sem que eu saiba ainda de que estirpe é a bicha.
De facto já há dois ou três dias que o corpinho me andava a pedir cama; isto acompanhado de alguns suores, mas ontem senti que estava mesmo atacado e tive que passar a tarde em casa com a cabeça assim um bocado para o azamboado.
Longe vão os tempos de meninice em que desejava estar doente; e desejava-o por duas razões: primeiro, para não ir à escola, ou então para poder beber leite e comer bolachas, coisa apenas acessível a meninos considerados ricos ou em caso de maleita sazonal, como era o meu caso, e na maior parte das vezes fingida.
Hoje, não gosto de leite e o raio das bolachas engordam, daí não me valer de nada fingir uma gripezita de chamar a atenção, até porque nem a isso tenho o direito que julgo merecer.
Mas voltando aqui à minha sintomatologia, vou deixar a coisa evoluir atacando-a do mesmo modo que tenho atacado surtos anteriores sem pensar de que estirpe será a bactéria que tenho hospedada no meu corpo.
Estou no trabalho. Tirei uns minutos para escrevinhar aqui um pedaço a ver se me abstraio deste nariz pingante e desta cabeça que parece querer rebentar a todo o instante.
Para compor o ramalhete, ontem fui lavar o carro, coisa que se deve fazer ocasionalmente e em especial quando a viatura é bastante recente. Vai daí, lavei, lavei e o raio da agulheta nunca mais parava, decidi então colocar a “pistola” no respectivo “coldre” e abalar à minha vida. Nisto vejo o raio da agulheta a bailar desvairadamente no ar investindo contra a minha viatura de cima para baixo. Dá três pinotes no ar, como se de um louco bailado se tratasse e zás, investe selvaticamente sobre o meu pára-brisas, abrindo-lhe ali uma brecha deixando o interior apinhado de minúsculos pedaços de vidro, que ainda não consegui limpar na totalidade. Vou hoje tentar colocar um vidro novo – mas para tal é preciso sorte, já que a viatura é de modelo recente e o vidro é provável que não exista em stock.
Para além destas fatalidades vou ter de arranjar forças para ir amanhã a Lisboa e regressar ao Algarve de seguida, numa maratona que não me estava nada a apetecer, mas compromissos são compromissos.

Y asi es mi vida
Piedra como tu!

Escrito por pulanito @ 11:11   2 comentários

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Carmina Burana



Ontem fui à ópera. A bem dizer, ontem, em cinquenta e três anos de vida fui pela primeira vez à ópera e fiquei com a sensação de que já o deveria ter feito, há muito mais tempo.
Fui ver a ópera ou, grande cantata cénica, Carmina Burana. Fui por várias razões: porque nunca tinha assistido a um tão grandioso espectáculo, porque era uma lacuna no meu parco saber e porque sem ser melómano ou coisa que o valha, esta obra faz parte da minha vida.
Sou um gajo de impulsos, o que muitas vezes é mau, mas outras vezes é altamente gratificante.
Ouvi a primeira vez Carmina Burana, há seguramente uns trinta anos e logo me apaixonei pela mais bela das obras do compositor alemão Carl Orf. Eu, que naqueles tempos pós revolucionários, em pleno boom do rock português e morando num bairro social ocupado, onde as preocupações ditariam muitos cenários possíveis, mas decerto não contemplariam a escuta de uma obra deste género, até parecia blasfémia ouvir tal género musical!
O facto é que Carmina Burana, ocupou ao tempo muita da minha atenção, fechando-me em casa a ouvir horas a fio tão bela composição.

Abertura: Ó Fortuna !- pela Companhia Nacional da Bulgária

Depois veio a minha separação matrimonial e do parco espólio que me acompanhou fazia parte o inevitável vinil da obra que ontem fui ver e de que agora vos falo.
Quando cheguei às terras do sul (onde de resto vivo desde então!), passei a ouvir com mais intensidade esta obra que acabei por praticamente decorar à custa de tanta repetição auditiva.
Depois tive uma breve incursão pelo estrangeiro e o disco perdeu-se e nunca mais voltei a adquirir outro exemplar. Praticamente resume-se à sôfrega audição desta obra e mais umas quantas árias da grande Callas a minha ligação ao bel canto, o que faz de mim um perfeito ignorante na matéria no que se refere à música erudita, em especial aquela acompanhada por vozes, sendo que no que se refere à música sinfónica, já ouço com mais assiduidade.



Maestro Michel Tabachnick

Na minha juventude tive a felicidade de conhecer o maestro Michel Tabachnick , que era ao tempo o condutor de orquestra da Gulbenkian, tendo sido este irreverente músico suíço que me deu a conhecer e a perceber a beleza da grande música, emprestando-me discos e a ensinar-me o que eram os andamentos e outras matérias que o tempo esborratou do sitio onde a havia guardado: a memória.
Mas ontem revivi ao vivo, a cores e a três dimensões a empolgante prestação cénico-musical com que os mais de duzentos elementos de entre, músicos, cantores e bailarinos
ofereceram aos cerca de mil espectadores que esgotaram o Centro de Congressos do Arade em Ferragudo.
Revivi ali grande parte do filme da minha vida de então e fiquei com a nítida sensação de que devo aproveitar mais selectivamente a minha vida entregando-me sem reserva a acontecimentos onde imperem a descoberta dos sentidos.

Escrito por pulanito @ 11:48   5 comentários

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Chico Italiano - Um Personagem Com Carisma.

Chico Italiano - Uma História from Fabrica de Imagens on Vimeo.



Há por esse Alentejo fora, representantes da raça transtagana que são verdadeiros exemplos duma linhagem em vias de extinção.
O Nuno Guerreiro, alentejano de Moura e meu colaborador trouxe-me a história contada em vídeo desse seu conterrâneo; uma figura impar da cidade do Alqueva.
Este alentejano tem orgulho na profissão que pratica: é técnico de recolha de resíduos urbanos, ou seja: é varredor de ruas, almeida, fitipaldi, o que se lhe queira chamar, mas o Chico Italiano desempenha com conhecimento e galhardia o "metier" que lhe foi destinado.
Este alentejano tem no seu veículo de recolha do lixo o seu objecto de culto, que também é motivo de curiosidade para visitantes e para mourenses.
O veículo do Chico Italiano está "kitado" com vários apetrechos. Nas rodas os inevitáveis cd’s que servem de reflectores conforme explica o condutor de tão peculiar veículo.
Por altura de importantes acontecimentos internacionais a bandeira verde-rubra faz parte integrante desta pseudo-instalação andante, onde o nosso Chico recolhe os detritos que os outros não depositam nos recipientes apropriados.
De entre a panóplia de "gadjets", podemos admirar ocasionalmente uma estação meteorológica, vulgo cata-vento, a imagem de Nossa Senhora prantada na frente do veículo ou ainda uma antena radiofónica que não serve rigorosamente para nada; mas quem é que anda à procura de explicações?
Cumpre o seu horário deixando num brinco a parte da cidade que lhe está destinada manter.
Pela tardinha quando o trabalho deixa de ser a sua preocupação mor, Chico Italiano transforma-se noutro homem, que sendo o mesmo que há pouco quase nos varreu os sapatos, agora apresenta-se como: O Verdadeiro Artista.
Nas tardes de Verão, quando os dias são maiores que as noites, Chico Italiano percorre os estabelecimentos vínicos da cidade, bebericando um copo aqui, uma mini acolá, ao mesmo tempo que debita muita da sua particular filosofia de vida, cuja máxima é: vive e deixa viver!
Do alto destas inquestionáveis verdades o nosso protagonista vai exibindo a extensa quinquilharia que lhe adorna braços, mãos e pescoço, e nos olhos os seus inseparáveis óculos escuros quer de dia quer de noite. Talvez tenha sido nesta prestigiada figura que Pedro Abrunhosa se terá inspirado para criar o personagem artístico que lhe conhecemos.
Ao contrário de Abrunhosa, sempre que uma caleira mourense o aborda dizendo-lhe que com os olhos lindos que tem não devia de andar de óculos escuros; Chico faz-lhe a vontade e mostra-lhe os dois faróis que lhe iluminam a face e sorri-lhe agradecido.

Depois, montado no seu ego, vai empurrando rua acima, rua abaixo a estranha viatura que já faz parte do espólio emocional da cidade.

PS: o video é um pedaço longo, mas é uma delicia, especialmente quando o Chico Italiano se transforma no: Verdadeiro Artista. Não percam!

Escrito por pulanito @ 16:18   5 comentários

Domingo, Novembro 01, 2009

Tabasco - Um molho recomendável!


Há muitos anos que o meu molho picante favorito é o Tabasco. Aprendi a gostar do molho da garrafa minúscula, há seguramente mais de três décadas. Comer um prego do lombo ou da vazia em pão quente, condimentado com 3 ou 4 gotas de Tabasco acompanhado por uma imperial fresquíssima em tarde de Verão, é quase um manjar dos deuses, mas que seria apenas bom, caso não existisse o tal tempero mágico.
Aprendi a ilustrar os meus pratos e molhos com umas pitadas deste molho que ressalva e amplia o sabor natural dos alimentos. Nos pratos de peixe, mariscos ou carne umas gotas de Tabasco fazem a diferença. Quase nunca se recomenda dosear este condimento, deixando antes ao belo prazer dos convivas a quantidade que estes mais gostarem.
Há muitos anos e já sendo um ferrenho adepto do peculiar sabor deste condimento, foi-me apresentado em Estremoz, um maitre d’hotel de seu nome Eusébio que me contou a história deste raro molho vermelho.
De sabor picante mas sem ser agressivo é preparado à base de malaguetas da variedade tabasco (daí o nome!), vinagre, água e sal, macerados em barris de carvalho durante um tempo apreciável.
É um produto americano inventado no longínquo ano de 1868 por Edmund MciIlheny, um banqueiro retirado, nascido no estado de Maryland e que entretanto se havia mudado para o Lousiana por volta de 1840.
O produto tem desde sempre estado nas mão da família MciIlheny, sendo hoje um potentado que exporta para mais de 160 países, produzindo diariamente 720.000 pequenas garrafas de 57 ml, na fábrica da Tabasco em Avery Island no Louisiana- EUA.
Uma das curiosidades a que está associada, é a de ser conhecida mundialmente sem necessidade de divulgação, e tanto quanto me lembro, julgo mesmo ser apanágio deste "brand", não fazer qualquer tipo de publicidade ou campanha de marketing, o que leva os estudiosos a fazerem desta marca, um caso de estudo sem precedentes.
Mas voltando aqui ao post sobre Tabasco, devo dizer que demorou tempo, mas lá em casa, a minha mulher que durante anos me viu comprar as minúsculas garrafinhas sem nunca as provar, caiu na tentação de um dia o fazer e agora “culpa-me” por não a ter obrigado a experimentar esta iguaria mais cedo.
Quando vou a um restaurante regra geral peço Tabasco. Regra geral é também não terem, e então passamos ao caricato da situação.
Pode acontecer uma de duas ou três coisas:
“Aqui está” – Desculpe mas isto não é Tabasco, riposto!
“ Esse é o Tabasco da casa, prove e vai ver, mas recomendo-lhe que tenha cuidado é bastante picante”.
Outros à mesma rejeição respondem:
“ Este é muito melhor que Tabasco, é caseirinho, feito com whisky e piri-piri, uma bomba”
Ou ainda outros que se estão borrifando e me dizem trazendo uma imitação barata do milagroso condimento –“é o que há”.
De facto chego á conclusão que regra geral os empregados de mesa da generalidade dos restaurantes estão pouco informados acerca do melhor picante do mundo, considerando que o importante quando se pede um molho destes é que pique até as órbitas saltem dos olhos numa catarata de suor que nos escorre cara abaixo enquanto se riem ao canto da sala da figura que fazemos, e quando se aproximam para perguntar se necessitamos de algo, sempre nos dizem –“ eu avisei, não avisei?”.
Com o Tabasco estas situações jamais acontecem. Os utilizadores sabem que aquelas meia dúzia de gotas fazem a diferença.
Tenho até o caso curioso de um amigo originário do Iémen do Sul, que quando vinha a Portugal, até nos pasteis de nata punha Tabasco. Bem. Fundamentalista, mas nem tanto!
Se por acaso o leitor não for adepto de comida picante, experimente 2 ou 3 gotas e verá que o Tabasco transmite aos alimentos o mesmo tipo de sensação que um baton vermelho provoca nos lábios de uma mulher.

Etiquetas: gindungo, malaguetas, molho picante, piri-piri, tabasco

Escrito por pulanito @ 13:02   5 comentários

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Gripe A , Iraquianos e Outras Palermices Que me Lembrei de Escrever Só Para VoCês Não Pensarem Que Eu Tinha Abandonado o Blogue!




Primeiro chamou-se gripe suína, mas vai daí, ó da guarda, que o nome que deram ao vírus fez decrescer alarmantemente o consumo da carne de barrasco, prevendo-se mesmo uma crise económica de proporções incalculáveis, com resultados tão ou mais imprevisíveis que aqueles resultantes da epidemia que vai inevitavelmente chegar sem que nós tenhamos por onde escapar.
Mas para amenizar a coisa mudou-se o nome à doença que todos esperamos para gripe A; uma espécie de primeira letra de um sem números de extirpes em que o vírus se há-de multiplicar (e a isto eu chamo capacidade de prever o futuro), esperando eu e os meus leitores que quando cheguemos à letra Z, não continuemos depois pela gripe A1 e acabemos com códigos de extirpes que mais fazem lembrar matriculas de automóvel que outra coisa. Bem, isto já sou eu a delirar à força toda!
Curiosamente mudou-se o nome da epidemia, mas lá pelas Américas (e provavelmente noutras latitudes) continua a chamar-se gripe suína. Curioso, só aqui pelas bandas da Europa é que houve necessidade de mudar o nome ao bicho!
Mas é assim: a coisa é séria e os governos de todo o mundo já estão a tomar medidas no sentido de inflectir o número de baixas que esta guerra irá causar e que os analistas prevêem ser aos milhares.
Em vez de armas e munições, agora contam-se vacinas e estabelecem-se prioridades.
Em primeiro lugar aqueles que vão dar o corpo ao bicho entrincheirados na linha da frente de bata branca, máscara e seringa em punho, equipamento necessário para fazer frente a este invisível inimigo.
Com a contagem das primeiras “espingardas” levantaram-se de imediato as vozes da discordância dizendo que a cura era pior do que o mal. Que se recusavam a tomar um produto para o qual se desconheciam os efeitos secundários, e assim nasceram os primeiros objectores de consciência vacinica.
Há ainda outra “extirpe humana” apologista da teoria da conspiração, que para além de acharem que o Michael Jackson e o Elvis estão vivos, também acham que isto é tudo uma invenção da industria farmacêutica em que algum vice-presidente ou mesmo presidente dos E.U.A. está envolvido até ao tutano com todas as provas escarrapachadas na Internet e a circular de mail em mail á velocidade da luz.
Lá por casa, já experimentámos a sensação de ser um dos primeiros a passar por essa experiência que é ser um dos afectados pela febre do momento.
Quando a minha filha Catarina lhe foi detectado o vírus, resolvemos não dizer nada a ninguém por razões várias, mas a principal talvez fosse mesmo o receio da segregação, tal a paranóia existente acerca dum vírus que afinal parece mais inofensivo e menos letal de que a extirpe da gripe sazonal a que todos estamos mais que habituados e que causa mais baixas que a gripe da moda.
Eu e a Natália (mais a Natália que eu!) tentámos que a nossa filha nos transmitisse o maldito vírus, fazendo assim uma espécie de contra-fogo no ataque à inevitabilidade que a largos passos se aproxima.
Rejeitámos tomar o famoso Tamiflu e demos muitos abraçinhos e beijinhos à doente lá de casa na esperança de que o vírus nos atacasse. Resultado: nem mesmo assim conseguimos que ela nos pegasse a famosa gripe, e aqui estamos todos desgostosos à espera que ela agora chegue com o frio, quando já podíamos estar livres desse pesadelo que mata muita gente em todo o mundo, mas certamente em menor número e a uma velocidade menor com que os Iraquianos se aniquilam uns aos outros.
Estes sim. Aquilo é que é capacidade destruidora, estou mesmo em crer que se o vírus tivesse consciência não se envolvia com esta gente, já que enquanto nós atacamos o vírus com paninhos quentes, infusões, vacinas e muita televisão, por terras de Bagdad estou seguro de que no mínimo o que farão é atacá-lo à bazucada quando não à bomba!

Escrito por pulanito @ 17:23   2 comentários

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Fotos da Feira de Castro 2009

Vir à feira montado numa carrinha é hoje objecto de reparo e curiosidade. Há pouquíssimas décadas, eram mais as carrinhas que os automóveis e há homens de outros tempos que ainda são vivos e que se lembram da feira em que os automóveis é que eram objectos de admiração, conta-me o orgulhoso condutor do reluzente carro de besta.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

Cabeçudos, bombos e gaiteiros são obrigatórios na abertura da feira. A maralha olha-os com estupefacção. São a alegria da miudagem que os seguem em cortejo rua abaixo.


Quando venho à feira, visto-me de grave e trago o meu bordão domingueiro.

E não é que fica bem no retrato!

Os vendedores de castanha assada são um dos ex-libris da Feira de Castro. Apesar do tempo (pelo calor que se fazia sentir) não convidar a comer castanhas, é impreterível gastar dois eurozitos numa dúzia delas.


Nem só olhando para os lados a feira nos surpreende. Quando o Pedro ergueu os olhos ao céu, ficou admirado por tão inédita construção em plena rua da Feira de Castro.


Ao descer a Rua Fialho de Almeida deparo-me com duas das “Ceifeiras de Entradas”, tinham vindo cantar no encontro de grupos corais, o mesmo que é dizer: tinham vindo prestigiar Entradas e o seu cante agora em versão feminina.


A minha Natália começou logo a feirar no principio da rua. Os sapatos foram a sua perdição. Estes custaram o "disparate" de 3,50 euros.

O espaço United Colors of Benneton é sempre um regalo para a vista e dá sempre um boneco onde a amalgama de cores enche o olho do fotógrafo amador.


Para o que der vier. Estou preparada para o frio, sol chuva ou calor. Da feira é que ninguém me tira. Parece dizer esta alentejana !


Facas! Desde pequeno que tenho uma fixação por elas. A cada ano que passa não posso deixar de as fotografar, mesmo que todos os anos elas sejam absolutamente iguais. Só nós é que não; estamos todos um ano mais velhos.

- Oh pra esta categoria de alhos. Isto não é espanhol, é produto nacional. Foram semeados em Novembro em noite de Lua Nova. Isto nunca mais apodrece, e se apodrecessem você no ano que vem diz-me que eu dou-lhe outra resma sem ter de pagar mais nada por isso.

Nem com tanto e tão bom argumento o "alheiro" conseguiu convencer o cliente da boina.

Pela perseverança merece estar aqui nesta galeria.


Este ciclista fez-me lembrar um outro ali das bandas de Divor, que me dizem ter por profissão ganhar a vida onde os outros se divertem. Coisas da vida!



A malta da Confraria de São Pedro, dignissimos representantes da arte de cavalgar toda a sela por terras de Castro Verde, vestiram-se a rigor para prestigiar a sua feira e venderem cabeças de porco e borrego assadas, que segundo os que as provaram estavam de comer e chorar por mais.

Nós bebemos um par de minis neste espaço que só veio enriquecer a feira.


A Fátima estava a condizer na Confraria dos Cavaleiros.


O vendedor de cajados não tinha mão a medir. -Tudo de madeira de Zambujeiro, a melhor para cajadar- conforme fazia questão de frisar.

Uma feira sem penicos não é feira. Aqui-los-heis!

Ele há manias piores!Há três anos que fotográfo o homem da "verdadeira pomada da giboia". Este ano tinha diversificado o seu negócio; para além da "milagrosa" pomada, também vendia chás para todas as maleitas.


Tenho esta coisa. Gosto de ciganos. E dizer-se isso nos dias que correm é uma afirmação de risco elevado, mas que hei-de fazer, não consigo resistir a fotografar os olhos de lume da raça calé.

A solenidade do cante não podia deixar de estar presente numa feira que dele também é feita.

No caso presente os Ganhões de Castro Verde cantam para o mundo através da emissão em directo com que a RTP1 brindou este ano a feira.

Escrito por pulanito @ 15:38   3 comentários

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Feira de Castro 2009

Bem-vindos à Feira de Castro 2009, parece dizer o meu amigo Joaquim Custódio!


O tempo, esse cavalo alado que corre mais veloz do que o vento, faz com que se me descuido, me apanhe ainda a arrumar os cacos da feira anterior e já a próxima está de pau e pano em riste.
Falo dessa inevitabilidade anual que se repete há mais de 400 anos e que dá pelo nome de Feira de Castro, um marco mais que assinalável, histórico no panorama dos rituais de resistência das terras mais a sul, mais propriamente em Castro Verde.
Desde há vários anos (mais de dez) eu e alguns indefectíveis militantes da causa feirante, fazemos a nossa abertura da feira na sexta-feira que antecede os dois grandes dias, onde Portugal inteiro parece ter vindo desaguar à capital do Campo Branco.
Tanto eu como os meus apaniguados sentimos o peso desta instituição secular que terá começado por régia intervenção de Filipe I de Portugal, que por sinal era espanhol e a pretexto de angariar verbas para a construção da basílica ex-libris desta terra, terminou com algumas das feiras circundantes e juntou-as todas numa grande feira que tem lugar marcado no terceiro fim de semana de Outubro das nossas vidas e de tantas outras passadas.
Já aqui escrevi sobre a feira, sobre os ciganos, sobre os produtos, sobre outros tempos da feira, sobre histórias que fui ouvindo de gente mais velha, o que quer dizer que este polígono feiral já não tem muitos mais ângulos por onde o possa abordar sem correr o risco de me repetir.
Penso já ter escrito isto noutro local que não aqui no Pulanito, mas mesmo assim cá vai:
A Feira de Castro foi sempre um acontecimento que me esteve atravessado no peito, porque por incrível que pareça só aí fui pela primeira vez já contava 36 anos, embora todos os outros anteriores e desde que tenho consciência e vontade própria aí sempre quis ir; mas desde esse data jamais falhei um ano, sabendo os meus que das duas ou três datas sagradas que tenho, uma delas pertence à Feira de Castro.
O que me levou a falhar a 35 edições da minha vida prende-se com o facto de ter muito cedo partido das terras do Campo Branco e enquanto por lá vivi nunca me lá terem levado.
Depois lá para os meus 10 anos - já em Lisboa - dá-se um episódio curioso. Uma das lições do meu livro da quarta classe era acerca da Feira de Castro, coisa que como podeis imaginar, eu sabia de trás para a frente, de cor e salteado, ou mesmo a fazer o pino e foi a lição que curiosamente me saiu na prova oral do exame da quarta classe. Como podereis imaginar fiz um brilharete digno de impressionar os examinadores e graças à maior feira tradicional do Alentejo obtive uma nota de se lhe tirar o chapéu, julgo mesmo que foi um Muito Bom.
Com o passar dos anos e com a entrada na mocidade este acontecimento ficou subalternizado no meu consciente, que certamente estaria mais interessado em catrapiscar moçoilas de seios a rebentar blusas, do que em me preocupar com feirantes e ciganos.
Não que tal tenha acontecido até aos 35 anos, mas aquando do meu "chamamento à terra mãe", jurei que se fosse por mim esta feira jamais acabaria e cá estou a abordar a feira numa perspectiva que talvez ainda não tivesse feito.
Nos dias 17 e 18 de Outubro por lá andarei de máquina em punho à cata de momentos para eternizar. Lá irei ver o homem das fisgas cuja mulher tem sobre ele um ascendente que o deixa envergonhado (também gosto do lado sociopata da coisa!), e mais o homem da banha da cobra, mais os vendedores que fazem to taipal da camioneta o seu palco e que de microfone (sempre tapado com o lenço de assoar - penso que por causa do feedback!) pendurado ao pescoço prometem vender este mundo por meia dúzia de tostões e ainda leva de graça a lua e os satélites imaginários que estes conseguem pôr na carrada, que a maralha licita à nota de 20 Euros cada.
Bem já me estiquei que baste neste prólogo da feira mais a sul, que sendo mais que um sitio onde se mercam coisas, é aqui, neste terceiro fim de semana de Outubro que a diáspora baixo-alentejana se encontra para celebrar mais um ano das suas vidas.

Etiquetas: Castro Verde, ciganos, feira de castro2009

Escrito por pulanito @ 16:37   6 comentários

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