Sábado, Julho 18, 2009

Um tradicionalista Convicto

Francamente não sei se sou um inoportuno revivalista, um tradicionalista convicto ou apenas um saudosista desesperado.
Não sei porquê (ou se calhar sei!), dou comigo a pensar que um certo Alentejo que amo e onde me revejo, vai a cada ano que passa perdendo muita da identidade que com orgulho ostento, mas que, com preocupação reparo; ou será que sou apenas fruto da inquietação adejectivista com que comecei esta narrativa?
Todos os meados de Julho, por imperativo de obrigações sociais que há muito assumi, tanto eu como alguns dos meus correligionários de copo e de cruz, temos de nos deslocar ao Alto Alentejo mais propriamente a Vila Viçosa.
Ao longo dos anos fomos enraizando hábitos que vão ganhando entre nós o epíteto de “clássicos “ e que não passam de visitas a sítios e pessoas que revisitamos a cada ano que passa marcando num imaginário calendário mais uma página das nossas vidas.
De entre as múltiplas visitas dessa estafante jornada, é obrigatório passar por Borba, onde devemos emborcar umas minis na Taberna 1, visitando depois a retrosaria do Quim Zé (ou do Diogo da Branca como é conhecida em Borba) e terminando o périplo Borbense na taberna A Talha, localizada numa das labirínticas ruas da marmórea vila alentejana.
Chegados a Borba ao final de tarde dum escaldante dia de brasa alentejana, encaminhamo-nos para o primeiro poiso, a Taberna 1! Aí chegados damos com o nariz na porta. O taberneiro Zé Manel tinha-se mudado temporariamente de armas e bagagens para uma das múltiplas feiras onde leva a sua simpatia e a gastronomia alentejana a quem a quiser provar.







Montra da finita Retrosaria Elegante, ainda com algumas das suas peças de arrojado desenho




Dirigimo-nos então à retrosaria do Quim Zé, mítico local desta nossa peregrinação, onde nos costumamos perder no tempo em que viajamos mal atravessamos a soleira da porta deste empoeirado estabelecimento.
A retrosaria finara-se, havia em definitivo encerrado as portas. Na montra ainda constam muitos dos artigos que fariam furor em qualquer boutique avant gard de um qualquer Bairro Alto.
Camisas novas de padrões pós-modernos, com estampagens que nem lembram ao diabo ao preço exorbitante de 150 escudos – e sapatos do mais fino cabedal e de desenho arrojado ainda preenchem a montra que podemos admirar e que não deve ter sido redecorada nas últimas décadas.
No ano passado comprei aqui uns sapatos de senhora pela barbaridade de 4 euros, sapatos esses, que estavam na casa deste 1967, gabando-se o retroseiro Quim Zé de ter feito um excelente negócio já que mos tinha vendido por mais do triplo que lhe haviam custado.
Não sei se já repararam porque é que me dói a alma de cada vez que uma destas casas encerra em definitivo as suas portas!
Nem chegámos a ir à adega A Talha, fomos logo ali informados de que também este mítico estabelecimento havia encerrado as suas portas por motivos contabilísticos referentes ao “dever” ser cronicamente superior ao “haver”.
Com o fecho destas casas, caiu por terra, morreu, ali numa das frondosas ruas de Borba, muita da ilusão que anualmente ali nos trazia.

Taberna do Larga a Velha em Borba - que terá direito a post personalizado em breve

Para afogar as mágoas, o mesmo Borbense que nos deu a trágica notícia do encerramento da Talha, também nos recomendou duas tabernas tradicionais desta terra de bom vinho: a Tasca Real e a taberna do “Larga A Velha “ que ficam em frente uma da outra e ambos os taberneiros se chamam Fernando e a que voltarei com mais detalhe em crónica futura.
Só vos deixo duas pistas. Na Tasca Real os petiscos são divinais, no “Larga a Velha” o vinho de produção própria é de se lhe tirar o chapéu.

Escrito por pulanito @ 11:11   1 comentários

Terça-feira, Julho 14, 2009

Morreu o Último Herói Romântico de Portugal!


A vida de Hermínio da Palma Inácio, o "Velho" para os que o tratavam pelo seu nome de guerra, merecia certamente um filme, como sugeriu um seu companheiro de luta, Amândio Silva, na homenagem ao "último Herói Romântico de Portugal", numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Lisboa e do Museu República e Resistência.
"Figura lendária da luta pela liberdade", nas palavras de Manuel Alegre, Palma Inácio desafiou a PIDE durante três décadas, levando-a mesmo a cair nas suas próprias armadilhas, para desespero dos inspectores da ex-polícia política.
Militante socialista e deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, Palma Inácio iniciou a luta antifascista com a sua adesão ao "Golpe dos Militares", em 10 de Abril de 1947, um movimento desencadeado pelo general Godinho e pelo almirante Cabeçadas e que contou com a participação de alguns civis, entre os quais João Soares, pai de Mário Soares.
Ao jovem revolucionário, então com 25 anos, coube a tarefa de sabotar os aviões da base aérea da Granja, Sintra, onde havia prestado serviço militar e cruzado os céus de Portugal, - ironia do destinos – muitas vezes na companhia do oficial da Força Aérea Humberto Delgado.
Esta acção acabou por lhe valer sete meses de clandestinidade, numa quinta em Odivelas, seguindo-se a sua detenção pela PIDE, conhecendo assim, pela primeira vez, as celas do Aljube. À espera do julgamento, Palma Inácio foi preparando a fuga. Na manhã de 16 de Maio de 1948, com quatro lençóis enrolados nas pernas, debaixo das calças, juntou-se aos outros reclusos, na fila para a casa de banho. Um breve momento de ausência do guarda permitiu-lhe lançar-se pela janela, numa altura de cerca de 15 metros do chão, caindo junto à sentinela da prisão, no exterior do edifício, que não teve tempo de reagir. Palma Inácio pôs-se em fuga, desaparecendo no meio da multidão. Com a PIDE de novo à sua procura, seguiu para Marrocos, de onde, após várias peripécias pelos mares, consegue chegar aos Estados Unidos .O "brevet" de piloto garantiu-lhe a sobrevivência, mas as autoridades acabam por o localizar, obrigando-o a abandonar o país. O destino foi o Rio de Janeiro, juntando-se assim a outros antifascistas que do exterior procuravam meios para acabar com o regime de Salazar em Portugal. Estava-se em 1956 e Palma Inácio contava 34 anos. Dois anos depois, a luta antifascista agitou-se com a candidatura do General Sem Medo às eleições presidenciais e o exílio deste no Brasil, a que pouco depois se junta também o capitão Henrique Galvão.
Palma Inácio, acompanhado de Camilo Mortágua, Amândio Silva, Maria Helena Vidal, João Martins e Francisco Vasconcelos, preparou então uma operação que haveria de acordar Lisboa de espanto - na manhã de 10 de Novembro, um avião da TAP, que partira de Casablanca, é desviado para sobrevoar Lisboa, onde são lançados cerca de 100 mil panfletos antifascistas. Os caças da Força Aérea não conseguem interceptar o avião, que regressa a Casablanca, para desespero do Regime.
De regresso ao Brasil, o grupo confrontou-se com a necessidade de procurar financiamento para as suas operações. Começou assim a preparação do mais espectacular golpe contra a Ditadura, o assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, concretizada em Maio de 1967 com Camilo Mortágua, António Barracosa, e Luís Benvindo. Foi a operação que mais feriu o regime de Salazar, não apenas pela operação em si, mas porque todos os pedidos de extradição solicitados pelas autoridades portuguesas às suas congéneres estrangeiras foram recusados, uma vez que os respectivos órgãos judiciais compreenderam que se tratara de uma operação de carácter político - uma realidade com que ainda hoje alguns (poucos) portugueses não se conformam.
Nesta altura, o movimento antifascista estava localizado em Paris, onde acaba por nascer a LUAR - Liga de Unidade e Acção Revolucionária, que reivindicou o assalto para como operação manifestamente política.
Na capital francesa, Palma Inácio planeou outro golpe, talvez mais arrojado que o anterior, mas que acabaria por fracassar: tomar a cidade da Covilhã. Deste vez, é detido pela PIDE, que acabará por sofrer uma das suas maiores humilhações. Palma Inácio concebeu a célebre fuga da prisão do Porto, serrando as grades da cela com lâminas que a sua irmã lhe fizera chegar, com a ajuda do informador da PIDE, de alcunha o "Canário", e o conhecimento dos inspectores Barbieri Cardoso e Sachetti, que se havia introduzido na LUAR.Ambos os inspectores sabiam da existência das lâminas mas nunca as conseguiram localizar, apesar das inúmeras revistas à cela.
Em Novembro de 1973, é de novo detido pela PIDE, depois de ter entrado clandestinamente em Portugal para mais uma operação**. Toda a raiva da polícia política contra Palma Inácio desabou sobre ele na primeira noite, em que foi barbaramente espancado.
Cinco meses depois, na sua cela, recebeu, em código morse feito pela buzina de um carro, nas imediações de Caxias, a primeira notícia de que um golpe militar está em curso. A Revolução estava na rua. No dia seguinte, a 26 de Abril, chegou a ordem de libertação dos presos políticos. Contudo, Palma Inácio foi o último a sair, pois alguns militares, que recusavam ver o assalto à Figueira da Foz como uma operação política, resistiram à sua libertação.
Quem conheceu este antifascista, de cachimbo sempre no canto da boca e casaco de xadrez, saberá o quanto estas linhas são poucas para espelhar a sua vida, em que à coragem juntou a lealdade e o seu humanismo, que lhe valem o título de "o último herói romântico de Portugal".
In jornal Republica -2000
**
Em Novembro de 1973 assisti “in loco” à captura do velho guerreiro e dos seus camaradas.
Eram cerca das 11.30 da manhã quando três homens entraram na Tasca do João na Av. Duque D’Ávila em Lisboa onde eu e outro amigo comíamos uma sandes por não haver gostado do almoço no hotel onde trabalhávamos. Gracejaram com o tempo ou coisa que o valha e à vez foram à casa de banho.
Nisto entra no minúsculo estabelecimento um indeterminado número de homens vestidos de fato escuro e empunhando metralhadoras. Era a PIDE!
Puseram de imediato os poucos clientes na rua e neutralizaram o outro grupo que há pouco havia entrado.
Do relato do que se passou no interior nada sei, mas segundo o taberneiro João nos contou, os Pides rejubilavam de alegria ao descobrirem quem haviam capturado.
Hermínio da Palma Inácio, o mais alto do grupo ao sair algemado da tasca para entrar no carro da policía politíca olhou o seu algoz nos olhos e disse-lhe :– saiba vencer, que eu também sei perder!
Soube mais tarde que pretendiam assaltar o Banco de Angola na esquina imediata à Tasca do João.
Nunca mais me esqueci da frase que ouvi da boca deste algarvio, exemplo de coragem e heroísmo que hoje nos deixou.

Escrito por pulanito @ 18:30   5 comentários

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Um Vulcão Chamado Susie

Susie Keene



Hoje apetece-me contar uma história de generosidade, de garra, de paixão e sobretudo de muita alma.
Susie Keene e sua mãe Gerda Alma Ida (uma judia alemã refugiada da II grande guerra em Inglaterra, mulher de fina sensibilidade artística, amante do simples e do belo), viajam até Silves num dia de Abril de 1980.
Ao chegarem à zona do castelo a jovem Susie de 21 anos, apercebe-se duma casa apalaçada, paredes-meias com a altaneira fortaleza que domina a cidade.
Numa das janelas o letreiro “vende-se”, capta a atenção da jovem, que herdou da mãe o espírito observador pelas muitas visitas a museus, monumentos e exposições onde a progenitora faz questão de a levar.
Susie tem especial e intuitiva apetência pelo belo e convence a mãe e regressar a Silves e visitar a casa.
Apaixonam-se pela casa e decidem-se a adquiri-la. Gerda, decide transformar a casa num café a que dá o nome de Café Inglês.
Ao tempo, para um estrangeiro abrir um negócio tinha de ter um sócio português, coisa que Gerda propõe ao pedreiro que lhe efectuou as obras necessárias.
Susie regressa a Inglaterra, mas visita a mãe várias vezes ao ano e apercebe-se de que algo corre mal na sociedade, tendo-lhe segredado uma colaboradora que o sócio estaria a tentar envenenar a mãe, facto nunca provado, mas altamente suspeitado, visto Gerda ver o seu estado de saúde debilitar-se a passos largos, especialmente de cada vez que ingeria alimentos ali confeccionados.
Susie aconselha a mãe a desfazer-se da sociedade, coisa que lhes terá custado uma boa maquia e demorado seis longos anos a pagar.
Agora Susie (1986) é quem comanda as operações e rapidamente o estabelecimento ganha vida e alma nova, impulsionado por este vulcão chamado Susie Keene!
Na praça todas as vendedeiras a conhecem, respeitam e admiram. Susie era o sol de Silves, conforme lhe chamavam carinhosamente as peixeiras do mercado.
Certo dia, estava uma turista a escrevinhar num bloco de notas, e Susie com o seu espírito generoso ofereceu-lhe uma fatia de tarte de amêndoa acabada de fazer. A cliente era uma escritora que estava a efectuar um Guia Turístico do Algarve, achou a nobreza do gesto digna de registo e destaca o Café Inglês no seu livro.
A coisa ganhou ainda mais proporção quando no início dos anos 90 se popularizam os seus almoços domingueiros com música ao vivo, coisa que ainda hoje acontece.
De resto o Café Inglês é hoje um local onde a doçaria e gastronomia são largamente aplaudidas, e onde a cultura tem o seu espaço privilegiado. Música, exposições, têm calendário marcado nesta secular casa senhorial, a que Susie chama “o palco da minha vida”, - porque lá no fundo sinto que nasci para ser actriz!

Agora, está empenhada noutro dos seus múltiplos sonhos. Na Cumeada (uma aldeia do interior algarvio) adquiriu outra casa antiga onde pretende materializar mais umas quantas ideias que lhe bailam nos expressivos olhos com que me fixa.
- Quero criar um espaço vocacionado para a contemplação, ioga e outras vertentes da paz de espírito. Quero que a minha casa seja um santuário para artistas!
No fundo o que ela quer, é repartir o seu coração com todos os que puder abraçar.

Publicado na revista 30 Dias - de Julho 09

Escrito por pulanito @ 19:33   0 comentários

Sábado, Julho 04, 2009

Slides- Retratos da Cidade Branca



A pedido de vários leitores, aqui fica um outro pequeno video contendo o poema Slides- retratos da Cidade Branca, dito no Music Box durante o festival Silêncio. Este poema já existe aqui no Pulanito mas no suporte audio. Agora poderão apreciar a intensidade do mesmo ao mesmo tempo que o lêm. Durante a apresentação cometi uma falha, não disse o verso " Ai a imperial da Munique". Espero que me possam desculpar, por tão óbvio lapso.

Slides – Retratos da Cidade Branca

Onde estão os meus amigos?
Remotas memórias
Saltitam
Pululam
Cheiros / odores / miragens
O café
O sorriso
Olá como está!
E outras encenações
A novidade
A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal

Ai..a imperial da Munique
Os destemidos tremoços
Moços, maçons
Canalha / navalha
Pensa coração
Amigos onde estais?

A sueca com minis à mistura
O relato da bola
A malha / copo de 3
A feira do relógio
O relógio da feira
Sandes de couratos / vinhos de Torres
Jogging de Marvila

Domingo
Especialmente domingo
Barbeados / dentes lavados
E martinis no plástico labrego
Alumínio / moderno / kitch / mau gosto
12 cordas / mãozinhas
Salteadores da razão perdida
Perdidos / enjaulados
Correio da manhã
O cú da vizinha do 9ºB
Regalo para a vista
Suplemento a cores com salários em atraso

E a Lisnave / petroquímica
Cancros do meu Tejo
Apodrecendo lentamente o azul das águas
E eu impotente / cinemascope / 35 milímetros de mim
A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres
Que não são putas nem são falsas nem são nada
São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente

Paga-se a saudade com cartão de crédito

Táxi
Leva-me para onde está o meu amor
Táxi
Leva-me para lá de mim
Táxi
Atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios

Escrito por pulanito @ 18:03   2 comentários

Terça-feira, Junho 30, 2009

Café Império - Sobremesa da Memória!

Café Império - Foto Paulo. CS



Numa das minhas visitas a Lisboa, e a conselho da minha filha mais velha, foi-me sugerido ir comer um bife ao Café Império.
Já não entrava no "Império" há pelo menos vinte e cinco anos. Aí chegados, viajei no tempo e lembrei-me de imediato do "Império" de outros tempos, com o seu trintanário à porta vestido com o samarrão verde escuro com o seu imponente acordoamento dourado que lhe povoava peito, conferindo-lhe um ar imperial a condizer com o nome do estabelecimento.
Desço as escadas e à medida que o faço, novas memórias me assaltam. Revejo a enorme sala, onde clientes e empregados estão envoltos numa nuvem de fumo. As enormes ventoinhas fazem a extracção possível. Atarefados empregados fardados de jaqueta branca e calça preta, atendem a clientela que à volta das mesas redondas conversam em animadas tertúlias, enquanto estes manejam bandejas pejadas de bicas e copos de água num raro exercício quase...quase circense!
Engraxadores chegaram a ser cinco e empregados de mesa 70, conforme me confidencia José Gonçalves, empregado na casa desde 1971 e o último depositário de uma memória que agora o novo Café Império quer preservar.
Numa Lisboa de brandos costumes, era nos cafés que se estudava, conspirava e “engatava”. Pela manhã, bandos de estudantes mergulhavam em calhamaços de empinar matéria, enquanto se perdiam em eternidades no exercício de misturar o açúcar com o café no rodopio infinito da minúscula colher.
Pela tarde chulos de penteado acabado de fazer no barbeiro da esquina, piscam o olho a fêmeas que se dão por ali “ à morte” num exercício de presa e caçador, sendo que normalmente é o caçador que é caçado.
O Império fechava às 2.30 horas e pela noite dentro servia os famosos bifes que lhe trouxeram fama e rivalidade com os outros da Portugália, havendo mesmo partidários de um e outro naco de carne banhado em molho de entrada.
Há cerca de quatro anos o café foi vendido à IURD. Na “sensível” intenção destes propagadores da palavra de Cristo, pretendiam fazer deste histórico local um parque de estacionamento, arrasando para sempre o espaço idealizado por Cassiano Branco que em parceria com Edgar Cardoso levaram do papel à tridimensão no ido ano 1954 esta sala de visitas de uma certa Lisboa.
Chamaram os artistas plásticos Joaquim Barradas e Luís Dorié, este, discípulo de Almada Negreiros, para abrilhantarem com o seu génio as paredes do Império.
Uma disposição camarária que determinou que o Império fosse considerado imóvel de interesse arquitectónico, fez com que os projectos Iurdianos não fossem avante.
Em boa hora tal aconteceu. O espaço reabriu noutras mãos que o recuperou e voltou a servir os bifes que lhe deram fama.
O charme do velho Império esvaiu-se no tempo, mas é de louvar a intenção que os novos proprietários lhe pretendem incutir.
O espaço é agora muito dedicado ao futebol, que é, e sempre foi coisa de café, utilizando as novas tecnologias, nomeadamente um ecrã gigantesco que dá a ideia de estarmos em pleno estádio.
Foi bom regressar ao novo - velho Império, não tanto pelo bife que me pareceu ter de melhorar significativamente, mas pela sobremesa da memória com que fui presenteado.
Publicado na Revista "30 Dias" de Maio de 2009

Etiquetas: Bife à Café, Bife à portugália, Café Império, cervejaria portugália, Portugália

Escrito por pulanito @ 16:15   4 comentários

Domingo, Junho 28, 2009

Rumo ao Campeonato do Mundo de 2010 - Zé do Pedal contraiu malária no Gana.

Zé do pedal- no dia da sua partida de Paris, para uma epopeia de 17.000 km a pedalar. Está quase!


Recebemos através do Joaquim Miguel o último relato da epopeia do grande Zé do Pedal que se encontra no Gana recuperando de um ataque de malária.
Como sei que existem muitos leitores interessados na aventura deste brasileiro, cidadão do mundo, com quem tive o privilégio de partilhar um dia da sua vida aquando da sua passagem por terras alentejanas, tendo-o recebido em minha casa, e com ele compartido pão e paleio, numa memorável tarde de Agosto de 2008.


Quando o brasileiro José Geraldo de Souza Castro, 51anos, que está fazendo uma viagem num kart a pedal, (produzido pela empresa holandesa Berg Toys) desde Paris a Joanesburgo, onde pensa assistir a primeira Copa do Mundo de Futebol realizada no Continente africano, resolveu trocar o calor do Centro da África do Oeste, pela chuva do litoral não imaginava as constantes chuvas tropicais e vendavais em sua nova trajectória. Pior... não imaginava ser picado pelas temidas fêmeas do mosquito do gênero Anopheles e ser a nova vítima da Malária.
Desde que entrou no litoral, pela Costa do Marfim, a chuva é uma constante no dia a dia do ambientalista. Na ultima sexta-feira, 19, um forte temporal em Accra, capital de Gana, deixou vários mortos, desabrigados, ruas completamente destruídas.
Ze do Pedal começou a sentir os sintomas da Malária na ultima segunda-feira 22. Imediatamente começou o tratamento e está hospedado num hotel na cidade de Tema onde esta em repouso absoluto. "Na verdade não sei em que momento contrai a doença... na sexta-feira participei no auxílio ás vitimas da enchente na localidade de Malan, cheguei a pensar que as dores no corpo e na cabeça era devido aquela prolongada exposição à chuva. Mas quando estava caminhando e senti o corpo mole, dei 5 passos em direcção a um lugar para me sentar, e tive um desmaio de uns 5 segundos, tive a certeza que havia contraído a Malária... procurei auxilio medico imediato e já estou recuperando lentamente. O diagnóstico indicou que eu estava infectado com o parasita Plasmodium falciparum, o mais letal dos agentes que causam a malária, considerando-se as quatro espécies que infectam o homem".
Zé do Pedal, membro do Lions Clube de Viçosa, MG, vem participando de diversas actividades junto aos clubes de cada pais que visita.
Em Abidjan, Costa do Marfim, no dia 26 de Maio foi recebido pelos membros do Lions Clube Calao. Em Gana, no dia 8 de Junho, encontrou-se com membros do Lions Clube "Twin City" da cidade de Tacoradi, no dia 11, foi recebido pelos CCLL do Lions Clube Crystal, da cidade de Cape Coast. No dia 12 de Junho participou, a convite de vários membros do Lionismo ganes, da inauguração do "Tema Lions Clube Eye Care Center"( Centro de Cuidados da Visao) . A edificação do centro, localizado dentro das instalações do Hospital (o maior do pais) da cidade de Tema (35kms ao leste da capital, Accra), foi inaugurado pelo Presidente Internacional Al Brandel durante sua visita oficial ao Gana.
Presentes a inauguração membros de todos os Clubes de Gana, o Ministro de Saúde Ganês, Dr. Sypa-Adjah Yankey, o Arcebispo Justice Akrofi, o Embaixador da Coreia do Sul e outras autoridades municipais.
Na sua intervenção, o Presidente do Lions Clube "Clement Torsutse", de Tema, informou aos presentes que "o Centro de Cuidados da Visão e uma resposta ao apelo de Hellen Keller, em 1925, para que o os membros do Lions Clube se transformassem em Cavalheiros da Visão, e hoje, temos a felicidade de entregar a comunidade o maior e melhor equipado Centro de Cuidados da Visão na África Ocidental, com um custo aproximado de 650.000 dólares. Aproveitando o ensejo, teceu agradecimentos especiais ao cidadão Coreano/Ganes Kofi Yim, cuja contribuição de mais de 200.000 dólares permitiu dotar o centro com ultra-modernos equipamentos. Ato seguido, homenageou ao cidadao koreano com o título de Leão Honorário.
Convidado a falar, Zé do Pedal lembrou aos presentes sobre o importante trabalho que o Lions realiza, através da Campanha Sight First nos 4 cantos do mundo no combate à cegueira, principalmente Catarata, Glaucoma e, Oncocercosis, que a LCIF tem como objectivo de erradicar, na África, ate o ano 2020. "O Lions e a maior Organização Não Governamental no Mundo. Com presença marcante em mais de 200 países e regiões, com quase 1.5 milhões de membros. Cada um carregando seu tijolo para a construção de um mundo melhor. São obras como esta que nos da o parâmetro de que estamos no caminho certo. Concluiu o CL.
A construção do Centro, preparado para receber 1500 pacientes por semana, e capacidade para realizar 30 operações por dia, começou a "sair do papel" com a doação de 50 dólares de cada membro do Lionismo Ganes, e com a obtenção de doações da sociedade em geral. O Leo Clube colocou as unhas de fora e doou sacos de cimento e vistosos relógios de parede que irão adornar, e perpetuar, a presença dos nossos meninos ".
Zé do pedal deve permanecer na cidade ate o dia 30, recuperando das 'agressões' recebidas pelo mosquito transmissor da Malária, depois seguirá para Lome, capital do Togo..

Texto enviado pelo Zé do Pedal.

Escrito por pulanito @ 17:36   1 comentários

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Abstenção



Concordo em absoluto com este poema do Samuel, que apesar de escrito há uns bons anos, continua mais acutilante e actual que nunca. Pessoalmente revejo-me nele, porque depois de 35 anos a religiosamente cumprir o meu dever de cidadão; deixei de votar, e deixar de votar, é mais do que não colocar o papelinho na ranhura, é deixar de acreditar.
A politíca actual é um feudo de parasitas (excepto raras e honrosas excepções), que a praticam , não com o nobre espirito de missão e cidadania que lhe são adjacentes, mas sim, com a única intenção de se "orientarem" estando-se perfeitamente a borrifar para o cidadão votante.
Este poema "Abstenção", foi por mim escolhido para dizer a duo com o Samuel no Festival Silêncio, como forma de protesto pelo estado a que as coisas chegaram. E não falo da crise internacional, falo do desplante, da falta de vergonha´, do deboche a que chegou este país chamado Portugal.
Não necessito de citar nenhum exemplo, está lá tudo neste inspirado "Abstenção", da autoria do meu filho Samuel.

Escrito por pulanito @ 15:38   3 comentários

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